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Morreu José Luís Tinoco, criador de canções como "No teu poema"

Morreu José Luís Tinoco, criador de canções como "No teu poema"

O compositor, artista plástico e arquiteto José Luís Tinoco morreu na noite de quarta-feira, em Lisboa, aos 93 anos.

Ana Sofia Rodrigues - RTP /
RTP Play

Pianista, criador de canções como "No teu poema", "Um homem na cidade" e "Madrugada", José Luís Tinoco foi também o músico de jazz que fez parte das primeiras formações do Hot Clube de Portugal, onde tocava piano e contrabaixo. 

Foi o poeta que publicou "Perseguição dos dias", o compositor que Bernardo Sassetti, João Paulo Esteves da Silva, Mário Laginha, Ivan Lins, Carlos do Carmo abordaram vezes sem conta, e cuja música detém "a qualidade dos grandes standards", como reconhecem os seus intérpretes, num nível equiparável a Cole Porter ou Tom Jobim.Com o curso da Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto, pintor, poeta e músico, José Luís Tinoco nasceu em Leiria, em 27 de dezembro de 1932, num meio cultural privilegiado, como reconhecia, raro para a época. O pai era reitor do liceu, diretor do Círculo de Cultura Musical e do Museu da Cidade; a mãe, Maria Carlota Tinoco, pianista, pedagoga, concertista.

A sua marca, porém, não se limita à música. Estende-se à arquitetura, à ilustração, ao cartoon, à fotoanimação, aos figurinos e cenários para teatro, ópera e bailado, ao design e às artes gráficas.

Expôs na Fundação Gulbenkian e no Palácio Galveias, em Lisboa, onde apresentou retrospetivas da sua pintura. Realizou a mostra "Loop" no Museu de Lisboa.

Concebeu mobiliário, espaços interiores, desenhou capas para livros de autores como Alfred Jarry e José Rodrigues Miguéis, assinou emissões filatélicas dos CTT. Na década de 1980, lançou as bases para o Levantamento da Arte Portuguesa Contemporânea, que dirigiu para a então Secretaria de Estado da Cultura.

Em 2014, José Luís Tinoco recebeu o Prémio de Consagração de Carreira da Sociedade Portuguesa de Autores, e o Teatro S. Luiz, em Lisboa, abriu a temporada com o espetáculo de homenagem "Os lados do mar -- José Luís Tinoco", dirigido por Laurent Filipe, com a participação de músicos como Carlos do Carmo, Carminho, Camané, André Sarbib e Pedro Jóia.

Em 2021, a RTP estreou o documentário Vida e Obra de José Luís Tinoco, de Laurent Filipe, disponível na plataforma RTP Play, que atravessa as diferentes expressões da sua obra.

"Evito o fácil", dizia sempre José Luís Tinoco. "Não cedo só porque é bonito", garantia. Na música, na pintura, na arquitetura, na vida toda.

Na arquitetura assinou uma moradia no Restelo, indigitada para o Prémio Valmor, na década de 1950, assim como projetos públicos e habitacionais em diferentes localidades do país, destacando-se o plano de urbanização do Bairro do Rego, em Lisboa, que acabaria por não ser cumprido. A burocracia e antigas gestões municipais nunca ousaram concretizar.
Festival da canção
Em finais da década de 1960, a presença de José Luís Tinoco no Festival da Canção fez diferença, com canções como "Adolescente", com letra de Yvette Centeno, e "Cidade alheia", com Pedro Tamen. Depois vieram outras como "Madrugada" e "Os lobos e ninguém".

"Decidi (participar no festival) um tanto porque me divertia, mas também com a intenção de ver até onde a linguagem do jazz poderia inserir-se na canção portuguesa e enriquecê-la do ponto de vista harmónico e melódico", disse em entrevista.

Em 1975, venceu o festival com "Madrugada", por escolha dos próprios concorrentes, uma canção para a qual escreveu letra e música, numa referência à queda da ditadura, interpretada por um capitão de Abril, Duarte Mendes.

Do ano seguinte ficou "No Teu Poema", também com letra do compositor. Não passou do terceiro lugar.

c/ Lusa

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